
Entre os dias 9 e 16 de dezembro, as bibliotecas do AENelas dinamizaram mais uma edição da Feira do Livro, iniciativa que voltou a afirmar a importância da promoção do livro e da leitura junto da comunidade educativa.
Ao longo da semana, o evento proporcionou momentos de contacto com o universo literário, incentivando o gosto pela leitura e a descoberta de novos autores. Um dos destaques foi a presença da escritora convidada Ana Luísa Pais, que esteve no dia 15 de dezembro na BE da Escola Básica Dr. Fortunato de Almeida, onde partilhou com os alunos a sua experiência enquanto autora, promovendo o diálogo em torno dos livros, da imaginação e do prazer de ler.

No âmbito da Feira do Livro, realizada entre os dias 9 e 16 de dezembro, a Biblioteca da Escola Básica Dr. Fortunato de Almeida acolheu, no dia 15 de dezembro, um encontro com a escritora Ana Luísa Pais, dirigido aos alunos do 6.º, 7.º e 8.º anos.
As sessões proporcionaram um momento de grande proximidade entre a autora e os alunos, marcado pelo diálogo aberto em torno dos seus livros. Ana Luísa Pais partilhou com os participantes a origem das suas narrativas, explicando como surgem as ideias, as inspirações para as personagens e o processo criativo que dá vida às histórias.

Entre os dias 5 e 12 de janeiro, a equipa da Biblioteca Escolar dinamizou, no Centro Escolar, uma atividade dirigida aos alunos do pré-escolar e do 1.º ano, tendo como base o conto tradicional ucraniano “Babushka – Uma História de Reis”.
A história foi apresentada em teatro de sombras chinesas, uma forma artística que despertou a curiosidade e o encantamento das crianças, criando um ambiente mágico e envolvente. Através do jogo de luz e sombra, os alunos acompanharam a narrativa de Babushka, explorando valores como a generosidade, a partilha e a importância das escolhas.
Byung-Chul Han é um filósofo e ensaísta sul-coreano, conhecido pelas suas reflexões sobre a sociedade contemporânea, a tecnologia, a psicologia e a filosofia. Nascido em 1959, em Seul, formou-se em Filosofia e Teologia na Coreia do Sul. Fez o doutoramento na Alemanha, onde vive e onde desenvolveu grande parte do seu trabalho.
A sua obra foca-se nas transformações culturais, sociais e psicológicas da sociedade moderna, especialmente no contexto do capitalismo neoliberal e da era digital. A sua escrita explora temas como o impacto das novas tecnologias nas relações interpessoais, a pressão pela produtividade e a busca constante por desempenho e sucesso, o que, segundo ele, resulta numa sociedade cada vez mais ansiosa e isolada. O seu pensamento é marcado pela combinação de influências da filosofia ocidental (como a fenomenologia de Heidegger ou a crítica social de Marx) com questões da cultura oriental, resultando numa abordagem única para a análise da sociedade moderna.
Entre os seus livros mais conhecidos estão A Sociedade do Cansaço (2010), A Sociedade do Desempenho (2015) e Psicopolítica (2017), onde critica a forma como o capitalismo contemporâneo afeta a saúde mental e as dinâmicas de poder.
Sociedade do Cansaço - Uma Reflexão sobre a Modernidade e os seus Impactos Psicológicos
O livro Sociedade do Cansaço faz a análise profunda das transformações socioculturais e psicológicas que caracterizam a sociedade contemporânea. Publicado em 2010, aborda o modo como a vida moderna, marcada pelo culto da produtividade e do desempenho, numa sociedade governada por um sistema de autoexploração, tem gerado uma crescente sensação de cansaço e vazio.
Ao longo do livro, o autor faz a distinção importante entre o que chama de "sociedade disciplinar" e "sociedade do cansaço". Na sociedade disciplinar, vigente até o século XX, as pessoas regiam-se por normas externas, como leis, regulamentos e instituições de controlo Na sociedade atual, o poder é exercido pela pressão interna que leva as pessoas a autoexplorarem-se em busca do sucesso e do autoaperfeiçoamento. O cansaço, portanto, não é causado por uma sobrecarga externa, mas pela constante exigência interna de melhorar, ser mais produtivo e alcançar um ideal de excelência.
A competitividade e a busca incessante por eficiência resultam num desgaste psicológico profundo. A individualidade, em vez de ser um espaço de liberdade, torna-se um campo de batalha onde o sujeito se sente constantemente pressionado a superar os seus próprios limites. Em contraste com a sociedade anterior, onde o descanso e a recuperação eram vistos como elementos essenciais para o bem-estar, esta sociedade valoriza a constante mobilização, o trabalho incessante e o rendimento, onde as tecnologias digitais têm também papel relevante.
Com o aumento do uso das tecnologias, a fronteira entre o trabalho e lazer generalizou-se, o que acentua a sensação de esgotamento físico e psicológico. A intensificação da comunicação, as redes sociais e a busca pela validação imediata criam um ciclo vicioso, onde as pessoas se sentem constantemente insatisfeitos e incapazes de escapar à pressão dos resultados.
Ao refletir sobre estes aspetos, o livro convida o leitor a repensar as formas como vive e as exigências que impõe a si mesmo. O autor, que questiona o valor dos resultados obtidos a qualquer custo, não propõe uma solução simples, mas um convite a uma pausa crítica.
"Sociedade do Cansaço" é, portanto, uma obra que convida a refletir sobre os impactos da sociedade na saúde mental e no bem-estar das pessoas, alerta para o preço da busca incessante pela produtividade e sucesso, e faz repensar os valores que orientam a vida coletiva e individual. Num mundo cada vez mais arrebatado e pressionado pela lógica de desempenho, talvez esteja na hora de redescobrir o valor do descanso, da reflexão e da desconexão.


Jacinto Lucas Pires

Mandana Sadat

