
O Festival Literário de Nelas — ELOS 2026 decorreu entre 17 e 24 de abril, reunindo escolas, famílias e comunidade em torno da leitura. Sob o tema “Escritores e Autores do Coração do Dão”, homenageou autores ligados ao território e evocou António Lobo Antunes. O programa incluiu concursos de leitura, sessões de conto, teatro, tertúlias, encontros com escritores, maratonas de leitura e atividades intergeracionais. Destacaram-se iniciativas dinamizadas pelas bibliotecas escolares, professores e famílias, promovendo criatividade, pensamento crítico e gosto pelos livros. Com forte participação da comunidade educativa, o ELOS 2026 consolidou-se como um importante evento cultural do concelho de Nelas.

O projeto “Correio dos Afertos”, é um projeto, envolve alunos do 2.º ano do 1.º Ciclo dos Agrupamentos de Escolas de Santa Comba Dão e de Nelas. A iniciativa pretende promover a leitura, a escrita e a partilha de afetos através de uma dinâmica de correspondência entre turmas, articulada pelos professores bibliotecários e docentes titulares. Ao longo do ano, os alunos participarão em três ações principais: criação de postais de Natal, elaboração de uma carta coletiva sobre a escola e a comunidade local, e construção de marcadores de livros acompanhada de uma reunião online entre todas as turmas. O projeto visa desenvolver competências de expressão escrita, criatividade, comunicação e interação social, valorizando simultaneamente a empatia, a cooperação e o respeito pelo outro.

Durante este mês, a Hora do Conto dinamizada no pré-escolar e no 1.º CEB foi dedicada ao Dia da Mãe e ao fascinante ciclo de vida do Bicho-da-Seda. As sessões proporcionaram momentos de escuta, descoberta e partilha, promovendo o gosto pelos livros e pela leitura. Através de histórias sobre o amor e o carinho das mães, as crianças refletiram sobre a importância da família, dos afetos e da gratidão. Em articulação com este tema, explorámos também a transformação do Bicho-da-Seda, despertando a curiosidade científica e a observação da natureza. Os alunos acompanharam, com entusiasmo, as diferentes fases do seu desenvolvimento, desde a lagarta até à formação do casulo. As atividades incluíram diálogos, ilustrações e trabalhos criativos, permitindo desenvolver competências de expressão oral, imaginação e sensibilidade ambiental.


Adriana, 26 anos, licenciada em Biologia Celular e Molecular e mestre em Saúde Pública e Desenvolvimento, é mentora da Teach for Portugal na E.B.2,3 Dr. Fortunato de Almeida.
É apaixonada por cultura, especialmente teatro e cinema, e acredita profundamente no poder da empatia e das relações humanas. Defende a importância de abrandar o ritmo e de nos reconectarmos com o que nos rodeia — as pessoas e a natureza — como caminho para uma vida mais significativa e feliz.

Tenho uma predileção por romances históricos e li recentemente o “Romance de Dom Dinis, El-Rey que (nom) fez tudo quanto quis”. A obra conseguiu transportar-me para o ambiente do século XIII e envolver-me no enredo, com as personagens, através de uma linguagem própria da época, elevada com delicadeza pela escrita notável e sensível da autora Natália Constâncio.
Por outro lado, considerei muito interessante o recurso à mestria oratória de Padre António Vieira como mote para a demanda ficcional da narradora homodiegética pela busca de informação acerca do casal real, D. Dinis e D. Isabel.
Na verdade, a obra transporta os leitores para o ano de 1674, onde uma nobre romeira portuguesa percorre as ruas históricas de Roma, refletindo sobre a grandeza da cidade e os ecos do passado que a envolvem.
Ao chegar à Igreja de Santo António dos Portugueses, ela testemunha o sermão da Rainha Santa, proferido pelo emblemático Padre António Vieira. De regresso a Portugal, a protagonista embarca numa jornada de investigação nos acervos documentais, onde é revelada a ligação singular entre Dom Dinis e Dona Isabel, explorando temas como a influência da literatura provençal e a ligação cultural entre Portugal e Aragão.
Com um enfoque psicológico marcante, a narrativa destaca a complexidade emocional de Dona Isabel, dividida entre dois amores sublimes: a sua devoção a Deus e o profundo sentimento que nutre por Dom Dinis. Esta obra não é apenas um romance de época, mas uma profunda reflexão sobre a condição humana, as relações afetivas e a riqueza do legado literário.
Por último, este romance histórico condensa ecos das raízes mais profundas da nossa literatura, desde a poesia trovadoresca, passando pelos romances de cavalaria, as crónicas historiográficas, culminando no mais subtil lirismo. O “Romance de Dom Dinis, El-Rey que (nom) fez tudo quanto quis”, de Natália Constâncio, estimula o leitor a deixar emergir a sua imaginação sobre essa época e os seus acontecimentos. Fica o convite à leitura.


Jacinto Lucas Pires

Mandana Sadat

