No passado dia 2 de maio, esteve na nossa sala de aula, a Irmã Aurora Salgado para partilhar a sua experiência como professora numa das regiões mais inseguras, no Sudão do Sul.

A Irmã foi enviada para o Sudão do Sul como professora, e deparou-se com uma realidade completamente diferente da que estava habituada: não existiam edifícios para dar aulas e apenas os rapazes frequentavam a escola. Os alunos tinham que percorrer o mato durante cerca de 3 horas até chegar à escola (num total de 6 horas por dia). Partilhou connosco que se os alunos se atrasassem eram deitados no chão, de barriga para baixo e os professores batiam-lhes com um pau. A Irmã contou que, perante esta situação, quis fazer a experiência: juntou um grupo de rapazes e percorreu com eles o trajeto de regresso a casa, no final do dia. Ainda nos disse que no final não conseguiu regressar à sua aldeia, tiveram que a transportar de bicicleta, tendo-lhe no fim caído as unhas dos pés.

Um dos maiores entraves à sobrevivência no Sudão do Sul é a escassez da água. As meninas têm que percorrer centenas de quilómetros para trazer água para as suas famílias. Neste país, a água era retirada de pequenos poços onde, por vezes, têm de permanecer uma noite à espera para poderem encher as vasilhas. No entanto, a água é escura, cheia de impurezas, com areia e cheia de microorganismos, que podem ser fatais ao ser humano quando consumida sem ser fervida. A água, nestas condições, contém um parasita, o Guinea Worm, que entra dentro do organismo e lá permanece durante mais ou menos 1 ano, desenvolvendo-se um filamento no interior do corpo, podendo atingir 1 metro. Este parasita sai por qualquer parte do corpo, sendo que este processo poderá demorar meses. Todos os dias, a pessoa infetada puxa um bocadinho o parasita, com muito cuidado para não rebentar. Depois, ata um cordel e coloca-o junto ao local onde o “bichinho” está a sair. Se este rebentar poderá matar o portador do microorganismo infetando-o (uma vez que não existe acesso a cuidados de saúde).

A Irmã Aurora contou uma história que nos comoveu, uma bomba caiu numa árvore onde estava a ser realizada uma aula, já que lá muitas escolas funcionavam de baixo das árvores. A Irmã ficou muito chocada porque os sonhos daquelas crianças inocentes foram destruídos daquela maneira. A sobrevivência das pessoas era muito incerta naquele lugar.

Alunos do 10ºA

 

A Irmã Aurora viajou por vários países como o Sudão, onde deu aulas a crianças infortunadas. Contou-nos que havia um parasita que entra no nosso corpo e lá permanece durante um ano. Depois sai por qualquer parte do corpo (olhos, rosto, tornozelos, cabeça,..) Partilhou connosco que os soldados chegavam às aldeias, cercavam as escolas e levavam os rapazes à força, para treinarem e irem para a guerra.

Lá as crianças tinham de percorrer cerca de 3 horas a pé para chegarem à escola, e tinham de estar aí às 7 horas da manhã. Contou que também ela tentou fazer o mesmo percurso, e foi com um grupo de rapazes, mas disse que já não conseguiu fazer o percurso de regresso. Disse que tiveram que a trazer de bicicleta e no fim caíram-lhe todas as unhas dos pés.

9.ºE

 

Esteve presente na nossa aula de EMRC a Missionária Aurora Salgado. Ela começou por contar o inicio da sua vocação e como surgiu a necessidade de ir para o Sudão do Sul, no sentido de ajudar os mais necessitados. Começou por ir para Londres para aprender Inglês, de seguida foi estudar para Itália e foi posteriormente enviada para dar aulas no Egito. Aqui, foi trabalhar para um colégio, onde andavam meninos ricos. Contou  que os pais dos meninos lhe davam prendas caras no sentido de a Irmã lhes dar boas notas. Isso entristecia-a e ela pediu ao Vaticano para a enviar para um lugar onde fosse realmente necessária. Foi então enviada para o Sudão do Sul. Aí continuou a exercer a sua profissão. Os seus alunos eram só rapazes que saiam de casa às 4 da manhã para poderem chegar à “escola” às 7 horas da manhã, fazendo o percurso a pé. No Sudão do Sul, ela combateu a injustiça e lutou pelo bem dos seus alunos. As meninas realizavam as tarefas mais duras: cozinhavam, tratavam do campo, cuidavam do gado, cuidavam dos irmãos mais novos… Através da sua persistência, conseguiu que os pais deixassem as meninas irem à escola.  Foi vítima de várias doenças próprias dos sítios onde estava, desde malária cerebral, Guinea worm , … Falou de vários ataques à aldeia levados a cabo pelos rebeldes, de bombardeamentos, bombas que ficavam adormecidas, sem rebentar na hora e que se transformavam em condenações às crianças que brincavam no meio dos campos. Falou da fome que se passava, da solidariedade dos povos, da escassez de água e da distância que tinham que percorrer (por vezes cerca de 80 kms) para poderem trazer água para a família. A Irmã partilhou connosco que num ano de tanta fome e sede, em que não chegaram ajudas de alimentos, as mulheres da aldeia partilhavam com elas o pouco que tinham para enganar a fome: urina misturada com leite de vaca. A Irmã contou que teve que beber para não morrer à fome.

9.ºA

Os momentos que fixámos foram vários. Num deles, um colega nosso perguntou se em alguma das situações que a Irmã vivenciou no Sudão do Sul duvidou da sua fé. A isto a Irmã respondeu que fé sempre teve, no entanto, em certas coisas que via perguntava-se onde estaria Deus e em todo aquele clima de guerra pegava no seu terço e rezava. Uma da histórias que mais me comoveu foi de um ataque a uma aldeia. Contou que no meio de tanta confusão um pai fugia com a filha pequena às costas, acompanhado do tio. O pai e o tio foram mortos, ficando caídos no chão com a miúdas entre eles. Os rebeldes passaram e golpearam a menina na cabeça, deixando-a quase morta. Dias depois a mãe voltou ao local à procura do marido e da filha e encontrou-a entre os corpos do tio e do pai. A criança foi levada para a missão onde as irmãs cuidaram dela. Desde o inicio nunca se pensou que aquela menina recuperasse, tamanho eram os seus ferimentos e tal era o seu estado. No entanto, meses depois já brincava com as outras crianças da missão.

10.ºB