
No dia 5 de fevereiro, a nossa escola celebrou o Dia Mundial da Leitura em Voz Alta, em articulação com Plano Cultural de Escola, cuja temática deste ano — “Acordar na Rua do Mundo”, da poetisa Luíza Neto Jorge — nos convida a despertar para a palavra, para o outro e para o mundo que nos rodeia.
Inspirados por esta linha orientadora, reunimos a comunidade educativa e lançámos o desafio a alunos, professores e funcionários para que dessem voz aos textos selecionados, criando pequenos vídeos onde a leitura se transformou num momento de partilha e descoberta.

O Projeto de Fluência Leitora a implementar no presente ano letivo nos alunos do 2.º e 4.º anos do AEN surge na sequência do diagnóstico realizado pelo psicólogo escolar, que permitiu identificar e estratificar grupos de alunos de acordo com as suas dificuldades específicas ao nível da velocidade, precisão, oralidade e prosódia.
Este projeto assume-se como um ponto de partida para uma intervenção atempada e diferenciada, promovendo práticas sistemáticas de leitura orientada. Conta com o apoio da Biblioteca Escolar, que dinamizará atividades de promoção da leitura, reforçando a expressividade, a entoação e o ritmo, contribuindo para o desenvolvimento da oralidade e para a consolidação de competências leitoras essenciais ao sucesso educativo.

Entre os dias 23 e 30 de janeiro, os alunos do 3.º e 4.º ano do CEN de Santar e Carvalhal Redondo realizaram uma visita de estudo à Biblioteca Municipal de Nelas, onde tiveram a oportunidade de conhecer a exposição “Essência do Quotidiano: uma exposição fotográfica sobre o amor silencioso dos dias comuns”, da autoria da fotógrafa Marta Menano.
Composta por 30 fotografias, esta mostra mergulha no universo íntimo das famílias, revelando a beleza escondida nos gestos simples e nos momentos aparentemente banais do dia a dia. Através de imagens autênticas e cheias de significado, a exposição convida o público a desacelerar e a valorizar o amor silencioso presente nos dias comuns.

Tenho uma predileção por romances históricos e li recentemente o “Romance de Dom Dinis, El-Rey que (nom) fez tudo quanto quis”. A obra conseguiu transportar-me para o ambiente do século XIII e envolver-me no enredo, com as personagens, através de uma linguagem própria da época, elevada com delicadeza pela escrita notável e sensível da autora Natália Constâncio.
Por outro lado, considerei muito interessante o recurso à mestria oratória de Padre António Vieira como mote para a demanda ficcional da narradora homodiegética pela busca de informação acerca do casal real, D. Dinis e D. Isabel.
Na verdade, a obra transporta os leitores para o ano de 1674, onde uma nobre romeira portuguesa percorre as ruas históricas de Roma, refletindo sobre a grandeza da cidade e os ecos do passado que a envolvem.
Ao chegar à Igreja de Santo António dos Portugueses, ela testemunha o sermão da Rainha Santa, proferido pelo emblemático Padre António Vieira. De regresso a Portugal, a protagonista embarca numa jornada de investigação nos acervos documentais, onde é revelada a ligação singular entre Dom Dinis e Dona Isabel, explorando temas como a influência da literatura provençal e a ligação cultural entre Portugal e Aragão.
Com um enfoque psicológico marcante, a narrativa destaca a complexidade emocional de Dona Isabel, dividida entre dois amores sublimes: a sua devoção a Deus e o profundo sentimento que nutre por Dom Dinis. Esta obra não é apenas um romance de época, mas uma profunda reflexão sobre a condição humana, as relações afetivas e a riqueza do legado literário.
Por último, este romance histórico condensa ecos das raízes mais profundas da nossa literatura, desde a poesia trovadoresca, passando pelos romances de cavalaria, as crónicas historiográficas, culminando no mais subtil lirismo. O “Romance de Dom Dinis, El-Rey que (nom) fez tudo quanto quis”, de Natália Constâncio, estimula o leitor a deixar emergir a sua imaginação sobre essa época e os seus acontecimentos. Fica o convite à leitura.


Jacinto Lucas Pires

Mandana Sadat

